Já não sei mais para onde me levam estas pernas, que se encontram exaustas de suportar todo este corpo, sem nunca me mostraram nenhum sinal de cansaço, já parecem conhecer o longo e continuo trajecto da minha viajem, costumo andar por aqui, aculá, até finalmente chegar ao quarto escuro dos fundos, caminho sempre sem lhes perguntar porque ali me levam, mas de que valeria a pena perguntar, se jamais iria obter resposta? Caminho por caminhar, talvez à espera de um rumo certo, Hoje como todos os dias chego exausta ao tal quarto escuro, as pernas não se aparentam cansadas, apenas a minha cabeça parece responde por todo o corpo, que se encontra esgotado, quero gritar mas não me restaram forças, quero caminhar até à janela para deixar o sol entrar e aquecer este quarto que se encontra à mesma temperatura gélida de sempre, mas tenho a certeza que cairia como a maior parte das vezes, sobre este chão imundo, onde o cenário se encontra sempre igual, roupas aqui, outras restantes peças acolá, papéis sobre a secretaria, copos de água que se encontram na mesinha de cabeceira à meses, sapatos desordenados por todo o lado, e toda esta sequência de desordenações, parece conjugar-se com o meu estado de alma, onde os pensamentos estão todos trocados, em que amar é tão legitimo quão o impossível, onde a felicidade se traduz em passado, onde a raiva se conjuga com a paciência, e em que a tristeza faz-me lembrar tanto o passado como o presente e o futuro.

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:'(
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